terça-feira, janeiro 03, 2017

Adidas vai vender tênis e camiseta feitos com lixo retirado dos oceanos

Pensamentovede.com.br/instagram.com / adidas football
Real Madrid e Bayern de Munique já começaram a usar a camiseta.
Segundo cientistas são jogados cerca de 8 milhões de toneladas de lixo plástico anualmente nos oceanos, sendo que 5,25 trilhões desses resíduos estão nesse exato momento sendo dissolvidos, prejudicando não só a economia como também a vida marinha.
Pensando em ajudar o meio ambiente e diminuir os danos causados por esses resíduos, a Adidas, em parceria com a Parley for Oceans, ONG que luta pela preservação dos mares, desenvolveu um tênis de corrida e uma camiseta feitos a partir do lixo retirado dos oceanos.
A empresa de artigos esportivos anunciou em novembro que irá comercializar sete mil pares desses tênis chamado de UltraBOOST Uncaged Parley, inspirado nas ondas do mar e composto com 95% de plásticos retirado dos mares das Maldivas e 5% de poliéster reciclado. Já as camisetas confeccionadas 100% com esse lixo retirado dos oceanos já está sendo usada e testada por dois dos maiores times do futebol mundial, Real Madrid e Bayern de Munique.
Cyrill Gutsh, fundador da ONG, ressaltou em notícia publicada no site da Adidas: “Ninguém pode salvar os oceanos sozinho. Cada um dos nós pode desempenhar um papel na solução. Está nas mãos das indústrias criativas reinventar materiais defeituosos, produtos e modelos de negócios. O consumidor pode aumentar a demanda para a mudança.”
O objetivo da Adidas é produzir pelo menos 1 milhão de pares do UltraBOOST até o final de 2017, com o objetivo de evitar plástico virgem, interceptar detritos e criar novas alternativas para colaborar com um planeta mais sustentável e melhor.

Iniciativa começou a ser divulgada no ano passado

Em 2015 a empresa já havia produzido um tênis feito com fios e redes de pesca retirados dos oceanos e criado através de uma impressora 3D, mas ele não foi comercializado. A nova versão desenvolvida é muito mais moderna, pois utiliza novas tecnologias especificamente projetadas para utilizar os restos de plástico marinho, sem comprometer o seu desempenho.
Outras partes do tênis são compostas de material reciclado, como os cadarços e a sola, que usam cerca de 11 garrafas de plástico para cada par.
Eric Liedtke, membro do conselho executivo da Adidas Group responsável por Global Brands, explicou, “Nós não vamos parar aqui. Faremos um milhão de tênis usando a Parley Ocean Plastic em 2017 – nossa principal ambição é eliminar plástico virgem da cadeia de suprimentos”.
Instagram.com / Adidas RunningTênis UltraBOOST Uncaged Parley

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Bateria de sucata que você pode fazer em casa

Redação do Site Inovação Tecnológica -  
Bateria de materiais reciclados que você pode fazer em casa
Em lugar do vaso de terracota da bateria de Bagdá, a equipe usou um pequeno recipiente de vidro para demonstrar o conceito. [Imagem: ACS Energy Letters


Bateria de Bagdá
Embora não seja tão famosa quanto o Mecanismo de Anticítera, outro artefato intrigante da Antiguidade, a Bateria de Bagdá ainda espera por melhores explicações - afinal, trata-se de algo que tem tudo para ser uma bateria, mas fabricada em uma época em que os historiadores acreditam que não havia conhecimento que permitisse a construção e o uso de uma bateria.
Isso não impediu que uma equipe da Universidade de Vanderbilt se inspirasse na Bateria de Bagdá para construir uma bateria feita inteiramente com materiais reciclados de baixo custo.
"Estamos vendo o início de um movimento na sociedade contemporânea levando a uma 'cultura do faça-você-mesmo', onde o desenvolvimento e a fabricação de produtos em larga escala estão sendo descentralizados e conduzidos por indivíduos ou comunidades. Até agora as baterias têm ficado fora desta cultura, mas acredito que veremos o dia em que os moradores se desligarão da rede [de energia] e produzirão suas próprias baterias. Esta é a escala em que a tecnologia da bateria começou, e acho que vamos voltar lá," disse o professor Cary Pint, referindo-se à bateria "caseira" de Bagdá.
Bateria de sucata
Ainda que não se torne uma opção comunitária, o feito tem mesmo tudo para ser revolucionário.
Afinal, os pesquisadores descobriram como fabricar baterias de alto desempenho usando restos de metais descartados e produtos químicos domésticos comuns.
Eles usaram sucatas de aço e latão - dois dos materiais mais comumente enviados para reciclagem - para criar a primeira bateria de materiais usados do mundo e que ainda é capaz de armazenar energia em níveis comparáveis às baterias chumbo-ácidas que equipam todos os automóveis. Com uma tensão de 1,8 volts, a bateria possui uma densidade de energia de até 20 watts-hora por quilograma.
Já o processo de carregamento e descarregamento é um pouco diferente, aproximando-se dos fluxos apresentados pelos supercapacitores ultrarrápidos.
Bateria doméstica
O segredo para esse desempenho é a anodização, um tratamento químico comum, usado, por exemplo, para dar ao alumínio um acabamento durável e decorativo. Quando os restos de aço e latão são anodizados, usando compostos químicos domésticos e a corrente elétrica de uma tomada residencial, as superfícies metálicas são reestruturadas, gerando redes nanométricas de óxido metálico que podem armazenar e liberar eletricidade quando reagem com um eletrólito líquido à base de água.
São esses domínios em nanoescala que explicam o comportamento de carregamento rápido da bateria, bem como sua estabilidade excepcional: a equipe testou seu protótipo por 5.000 ciclos de carregamento consecutivos, o equivalente a mais de 13 anos de carga e descarga diária, e constataram que a bateria de sucata manteve mais de 90% de sua capacidade.
Ao contrário das baterias de íons de lítio, que recentemente voltaram a explodir, a bateria de aço-latão usa um eletrólito não-inflamável, composto por hidróxido de potássio (KOH) diluído em água - o KOH é um sal usado em detergentes para lavar roupas e em sabões líquidos.
O próximo passo da equipe é construir um protótipo em maior escala, capaz de abastecer casas inteligentes, projetadas para terem um baixo consumo energético.

Bibliografia:

From the Junkyard to the Power Grid: Ambient Processing of Scrap Metals into Nanostructured Electrodes for Ultrafast Rechargeable Batteries
Nitin Muralidharan, Andrew S. Westover, Haotian Sun, Nicholas Galioto, Rachel E. Carter, Adam P. Cohn, Landon Oakes, Cary L. Pint
ACS Energy Letters
Vol.: 1, pp 1034-1041
DOI: 10.1021/acsenergylett.6b00295

Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga

Redação do Site Inovação Tecnológica -  
Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga
A bateria de diamante geraria energia por 5.730 anos - no caso de se usar o carbono-14 - e emitiria menos radiação do que uma banana emite naturalmente, dizem os proponentes da ideia. [Imagem: Universidade de Bristol]
Bateria nuclear
Uma equipe de físicos e químicos da Universidade de Bristol, no Reino Unido, está propondo um conceito controverso: construir baterias nucleares dentro de pequenos diamantes industriais.
A energia gerada "é muito pequena", de acordo com os professores Neil Fox e Tom Scott, proponentes da ideia, o que tornaria as baterias nucleares de diamante adequadas para alguns nichos de aplicação que requeiram pouca energia e longa durabilidade.
"Vislumbramos que estas baterias sejam usadas em situações onde não é possível carregar ou substituir baterias convencionais. As aplicações óbvias seriam em dispositivos elétricos de baixa potência, onde é necessário uma vida longa da fonte de energia, como marcapassos, satélites, drones de alta altitude ou mesmo espaçonaves," disse Scott.
A vida longa é longa mesmo: a dupla estima que uma bateria nuclear de diamante poderia produzir sua pequena carga elétrica por milhares de anos. Se o combustível usado for o carbono-14, como a dupla propõe, a meia-vida desse elemento é de 5.730 anos.
Bateria radioativa
Ao contrário dos geradores convencionais de eletricidade, que usam energia mecânica para mover um ímã dentro de uma bobina para gerar uma corrente, o diamante artificial pode produzir uma carga simplesmente ao ser colocado próximo a uma fonte radioativa.
"Não há partes móveis envolvidas, nenhuma emissão gerada e nenhuma manutenção é necessária, apenas a geração direta de eletricidade. Encapsulando o material radioativo dentro de diamantes, transformamos o problema de longo prazo dos resíduos nucleares em uma bateria nuclear e um fornecimento de energia limpa a longo prazo," defendeu Scott.
Na verdade há emissão de radiação, mas a dupla tem uma solução: encapsular o diamante radioativo dentro de outro diamante, sintetizado em volta do primeiro, servindo como um escudo de grande eficiência: a bateria radioativa emitiria tanta radiação quanto uma banana.
Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga
A ideia é envolver o diamante radioativo dentro de outro diamante não-radioativo, que serviria como escudo de proteção. [Imagem: Universidade de Bristol]
Bateria de diamante
A dupla apresentou um protótipo da bateria de diamante usando níquel-63, mas a ideia é usar carbono-14, um isótopo radioativo que se forma nos eletrodos de grafite usados como controladores da fissão nuclear dentro dos reatores.
Esses eletrodos, que hoje se transformam em lixo nuclear, seriam moídos e submetidos a altas pressões, suficientes para produzir diamantes industriais - o grafite é formado por carbono puro, assim como o diamante. Para que a bateria nuclear fique pronta, basta então sintetizar uma outra camada de diamante - gerado por carbono não radioativo - por cima do primeiro.
O processo não é simples e provavelmente não será barato, mas a dupla acredita que vale a pena pela destinação do lixo nuclear. E eles esperam também convencer as pessoas a usarem as baterias nucleares em seus próprios corpos.
"O carbono-14 foi escolhido como material fonte porque ele emite uma radiação de curto alcance, que é rapidamente absorvida por qualquer material sólido. Isso tornaria perigoso ingerir ou tocar nele com sua pele nua, mas mantido seguro no diamante, nenhuma radiação de curto alcance consegue escapar. Na verdade, o diamante é a substância mais dura conhecida pelo homem, não há literalmente nada que pudéssemos usar que poderia oferecer mais proteção," disse Scott.

Cola do bicho-da-seda captura metais nobres e contaminantes da água

Com informações da Unicamp -  
Cola do bicho-da-seda captura metais nobres e contaminantes da água
As partículas de sericina e alginato funcionam como um filtro, capturando os metais diluídos na água. [Imagem: Antonio Scapinetti/Unicamp]


Sericina
Além do fio de seda propriamente dito, o casulo do bicho-da-seda possui um tipo de cola, uma proteína, chamada sericina, que une os fios de seda uns aos outros, cimentando o casulo para manter sua integridade.
No processo industrial atual de beneficiamento da seda, a sericina é uma fonte de poluição das águas ou de custo adicional para o tratamento dos efluentes.
Os químicos Thiago Lopes da Silva e Meuris Gurgel da Silva, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), demonstraram agora que essa cola natural pode ter um destino mais nobre: em vez de se tornar um poluente, a sericina pode limpar a água, removendo metais tóxicos em estações de tratamento de água.
Para isso, a dupla criou partículas feitas de uma combinação de sericina com alginato, um derivado das algas marinhas. Essas partículas híbridas mostraram-se capazes de capturar da água metais tóxicos como cromo, cádmio, zinco ou chumbo. Dependendo do metal, as taxas de remoção podem chegar a mais de 99%.
Recuperação de metais nobres
O processo também funciona com metais preciosos como a prata, o ouro, o paládio e a platina, abrindo caminho para uso do processo na recuperação desses metais, em processos de mineração ou de reciclagem de materiais, onde esses metais nobres aparecem em concentrações muito baixas.
"O principal foco do nosso trabalho foi avaliar a remoção da prata porque, além de ela ser um metal nobre, e sua remoção dos efluentes apresentar benefícios econômicos, ela é tóxica quando está na forma iônica, dissolvida em água," explicou Thiago. "A prata é o metal nobre mais utilizado em processos industriais, e o crescente desenvolvimento de novos produtos que utilizam esse metal como agente bactericida, como por exemplo em materiais esportivos, faz com que a geração de efluentes que contêm o metal também aumente".
Filtragem de metais
O princípio do processo de descontaminação é semelhante à filtragem por carvão. A água contaminada com metais é colocada em contato com as partículas de sericina e alginato, e sai purificada. Os metais, que ficam capturados nas partículas, podem ser depois concentrados e reaproveitados. As partículas, após a extração do metal, podem ser reutilizadas em novos ciclos de purificação de água.
Os pesquisadores afirmam que outras equipes já vinham tentando usar apenas a sericina em pó para a recuperação de ouro e outros metais, mas a incorporação do alginato deu maior estabilidade ao composto, abrindo caminho para seu uso como filtro industrial.
"Se a gente consegue pegar uma coisa que está extremamente diluída em água, porém ainda acima do limite legal para descarte, e concentrar numa forma que viabilize a recuperação desse metal, isso é algo de grande interesse, devido ao alto valor comercial. Então, além do lado ambiental, a remoção dessa parte tóxica da água tem uma etapa de alto valor econômico", disse Thiago.