segunda-feira, outubro 10, 2011

SP: em meio a lixo, lancha perde corrida para carro no Tietê




Em menos de um minuto, um pedaço de madeira atingiu a hélice de um dos motores, que quebrou. Foto: Aloísio Maurício/Terra

Em menos de um minuto, um pedaço de madeira atingiu a hélice de um dos motores, que quebrou
Foto: Aloísio Maurício/Terra

Para chamar a atenção aos rios como alternativa de transporte no meio da cidade, a organização do São Paulo Boat Show, um salão náutico indoor, promoveu nesta segunda-feira uma corrida entre um carro e um barco em horário de pico no rio Tietê e na pista local da Marginal. Quem pensou que o barco ganharia com facilidade porque o veículo sobre rodas ficaria preso no congestionamento, errou: a grande quantidade de lixo quebrou um dos motores da lancha principal, que nem conseguiu terminar a prova, e a segunda embarcação chegou só depois do carro.
O trajeto foi de cerca de 10 km, entre as pontes dos Remédios e das Bandeiras. O setor fluvial da disputa saiu com três lanchas, duas para a corrida e uma de apoio. A mais veloz delas, que custa cerca de R$ 800 mil, tinha três motores de 300 HP cada e largou a 80 km/h - velocidade que não manteve nem por um minuto. Um pedaço de madeira que boiava no meio do rio atingiu a hélice de um dos motores, que quebrou e comprometeu a velocidade da embarcação.
Além disso, a enorme quantidade de garrafas PET, pneus, brinquedos, bolas de futebol, sacos plásticos e todo tipo de lixo flutuante entupia o motor constantemente, o que obrigava a lancha maior a fazer paradas, sob risco de superaquecer os motores restantes. Essa embarcação nem chegou ao final do percurso. A segunda lancha, de menor potência, chegou ao destino cerca de dez minutos depois do carro.
O acidente, no entanto, não foi imprevisto. A organização já contava com a possibilidade de o lixo acumulado em toda a extensão do Rio Tietê quebrar o motor da embarcação. "Porém, isso não impede nossa gana de realizar a travessia do Tietê e chamar a atenção de todos para sua limpeza. Isso é o mais importante", conta Ernani Paciornik, presidente do salão náutico que organizou o evento.
Segundo ele, há mais de 50 km de rios inativos em São Paulo, que poderiam contribuir para desafogar o trânsito e aumentar o potencial turístico da capital paulista. "Temos que nos espelhar em projetos de despoluição de rios como o Tâmisa, em Londres, e o Sena, em Paris, que aproveitam o sistema fluvial das cidades para transportar cargas e pessoas", diz. 
Fonte: Terra
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