sábado, dezembro 31, 2011

Retrospectiva 2011 – Meio Ambiente

Postado em 30/12/2011 às 09h00

   









O ano de 2011 acabou.
No entanto, alguns reflexos dele poderão ser sentidos no futuro, principalmente quando os acontecimentos estão ligados ao meio ambiente. Em meio às descobertas de novas espécies e o trabalho árduo de ONGs e órgãos governamentais em proteger a biodiversidade, o que o mundo presencia ainda é uma grande devastação.
Este ano foi o mais quente já registrado, entre todos os que contaram com a presença do fenômeno climático La Niña, que tende a resfriar a Terra. Muitos países ainda têm suas emissões de gases de efeito estufa crescendo a cada dia e as consequências disso são aumento na poluição, na temperatura global, eventos climáticos extremos, enchentes e queimadas. O homem continua deixando uma marca profunda na natureza.
O CicloVivo separou os assuntos relacionados ao meio ambiente que tiveram destaque neste ano.
Código Florestal
As mudanças no atual Código Florestal já vêm sendo discutidas há muito tempo e pelo menos nos últimos dois anos, o tema tem tido destaque constante na mídia. De um lado estão os ruralistas que querem mais espaço para plantar e criar gado. De outro estão as ONGs ambientais e os ativistas que enxergam o problema que a aprovação da proposta pode causar.
O senado fez as suas restrições, mas aprovou a ideia. O próximo passo é levá-la novamente à Câmara e por último conseguir a aceitação da presidente Dilma Rousseff. Enquanto isso, os manifestos contra a nova legislação tomam conta das redes sociais e de ruas por todo o Brasil. A hashtag #vetadilma é constantemente usada no Twitter e no Facebook, acompanhada de um pedido para que a presidente cumpra a promessa de governo e vete o projeto de lei que deve aumentar o desmatamento.
Recentemente o tema foi alvo de discussões durante a COP 17 (Conferência Climática da ONU), realizada em Durban, na África do Sul; quando a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva se mostrou contra a proposta, argumentando que a mudança tornará mais difícil o caminho do Brasil na redução das emissões dos gases de efeito estufa.

Belo Monte
A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é outro tema tão polêmico quanto o Código Florestal e que também tem se arrastado por anos. A proposta de aproveitar as águas do rio Xingu para a produção de energia e gerar desenvolvimento é um pouco controversa quando são avaliados os impactos ambientais e sociais desta estrutura.
Em 2010, o cineasta canadense James Cameron veio ao Brasil e se juntou às causas indígenas, participando de protestos contra a construção. Neste ano foi a vez dos atores globais juntarem esforços para impedir que as obras, que já foram iniciadas, tenham continuidade.  O viral Gota D’Água surtiu efeito nas redes sociais e despertou a atenção de muitas pessoas para o tema. A usina também inspirou o trabalho investigativo que resultou no documentário “Belo Monte – Anúncio de uma guerra”.
As autoridades brasileiras ainda enxergam a construção como um passo ao desenvolvimento sustentável. No início de dezembro o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, declarou que a usina é necessária para que o país não se torne dependente da queima de carvão ou óleo diesel para a produção de energia.

Desastre nuclear de Fukushima
Em maio de 2011 o mundo todo entrou em estado de alerta. Após uma sequência de fortes terremotos que atingiram o Japão, a Usina Nuclear de Fukushima sofreu explosões em reatores e isso resultou na liberação de altos níveis de radiação na atmosfera e também no oceano.
O país asiático ficou em estado de alerta e 140 mil pessoas que habitavam a região de Fukushima foram obrigadas a saírem de suas casas. O acidente serviu como lição, relembrando o mundo sobre o perigo que a energia nuclear pode representar.
Se é possível tirar algo positivo deste desastre, certamente é a mudança de postura de países que possuem usinas nucleares e que estão planejando fechá-las em troca de investir em energia limpa e segura.

COP 17
Os resultados mais positivos em prol do meio ambiente neste ano foram fruto da Conferência Climática da ONU, realizada em Durban, na África do Sul. Após discussões, os representantes das mais de 190 nações presentes no encontro concluíram que o Protocolo de Kyoto deveria ser prorrogado até 2017. O acordo, que estabelece metas de redução nas emissões de gases de feito estufa para as nações desenvolvidas, expiraria oficialmente em 2012.
Além disso, o Fundo Verde saiu do papel e a Coreia do Sul é o primeiro país a aceitar investir capital para proporcionar o desenvolvimento sustentável dos países emergentes. A Conferência foi finalizada com a aceitação da proposta de que nos próximos anos todos os países sejam obrigados a cumprir metas de redução nas emissões, para evitar que a temperatura global suba além do esperado.
O saldo negativo ocorreu no dia seguinte ao encontro, com o Canadá pedindo para se retirar do Protocolo de Kyoto. O argumento usado pelo ministro canadense do Meio Ambiente, Peter Kent, é de que o acordo não funcionava. O país norte-americano não cumpriu suas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa e, caso continuasse no acordo, seria obrigado a pagar multas bilionárias. O ato foi criticado por outros países que permaneceram comprometidos com o acordo.

Thaís Teisen - Redação CicloVivo
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