sábado, outubro 04, 2014

Ondas atmosféricas gigantescas podem explicar extremos climáticos

Redação do Site Inovação Tecnológica - 02/10/2014
Ondas atmosféricas gigantescas podem explicar extremos climáticos
Uma parte importante do movimento global do ar nas latitudes médias normalmente assume a forma de ondas que vagueiam em torno do globo, chamadas ondas de Rossby. [Imagem: PIK/NASA/GFSC]

Ondas de Rossby

Ondas gigantescas, ondulando pela atmosfera terrestre, podem ser responsáveis pelos extremos de temperatura que estão sendo observados em várias partes do mundo.

"É claro que estamos aquecendo nossa atmosfera emitindo CO2 pelos combustíveis fósseis, mas o aumento nas ondas de calor devastadoras em regiões como a Europa e os EUA parece desproporcional," explica o Dr. Dim Coumou, do Instituto de Pesquisas de Impactos Climáticos, na Alemanha.

Para Coumou e seus colegas, os extremos de calor ou frio verificados nos últimos anos podem estar sendo gerados por alterações em padrões de circulação acima da superfície da Terra - gigantescas ondas
atmosféricas.

Uma parte importante do movimento global do ar nas latitudes médias normalmente assume a forma de ondas que vagueiam em torno do globo, chamadas ondas de Rossby. Quando elas rumam para o norte, capturam o ar quente dos trópicos e o levam para Europa, Rússia ou EUA; e quando elas ondulam para o sul, trazem o ar frio do Ártico para os trópicos.

Delicadamente interligados

O que os pesquisadores descobriram é que essas ondas apresentam um grande aumento de amplitude durante os extremos climáticos, o que reduz sua velocidade de deslocamento.

"Por trás disso, há um sutil mecanismo de ressonância, que aprisiona as ondas nas latitudes médias e as amplifica fortemente," disse Stefan Rahmstorf, membro da equipe.

Em outras palavras, as ondas atmosféricas tendem a se propagar muito mais lentamente, mas assumindo grandes amplitudes, "travando" as massas de ar quente ou frio.

O que causa o que ainda é uma questão em aberto, segundo a equipe, que afirma que "as evidências para as mudanças reais na atividade das ondas planetárias estão longe de serem claras".

Apesar disso, eles apontam o dedo da suspeita para o Ártico, que tem apresentado um padrão de aquecimento acima da média desde o ano 2000. Uma das hipóteses é que, por causa da diminuição da cobertura branca de gelo, uma quantidade menor da luz solar é refletida de volta ao espaço,
enquanto o oceano aberto, mais escuro, se aquece mais.

"As ondas planetárias ilustram como os componentes no sistema da Terra estão delicadamente interligados," disse o professor Hans Schellnhuber, orientador do grupo.Bibliografia: Quasi-resonant circulation regimes and hemispheric synchronization of extreme weather in boreal summer Dim Coumou, Vladimir Petoukhov, Stefan Rahmstorf, Stefan Petri, Hans Joachim Schellnhuber Proceedings of the National Academy of Sciences Vol.: 111 no. 34 - 12331-12336 DOI: 10.1073/pnas.1412797111
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