sábado, abril 09, 2011

Livro conta história do criador do Parque da Aclimação


"Inspirado no parisiense Jardin d’Acclimatation, o local foi criado em 1892, pelo médico, agricultor e político Carlos Botelho, e possuía lago, granja leiteira e centro de equitação. Adquirido pela prefeitura em 1939, tornou-se o Parque da Aclimação." (trecho do livro).
Para todos os que conhecem o Parque da Aclimação e que como eu mantém um laço de amor e de carinho, que como eu sabem o quanto ele é o quintal de nossas casas, para todos esses e para todos os que amam a natureza  é que escrevo sobre o que senti ao fazer um passeio hoje pela manhã por entre suas árvores frondosas e amigas, seus caminhos tão conhecidos, toda aquela natureza ao nosso alcance sempre.

Mas o que mais me chocou, foi o Lago. O meu, o nosso querido Lago, ainda muito vazio. Tão vazio, que se formaram "ilhas", de forma que se pode ir até o meio dele apenas andando por sobre a terra que aparece nua e crua, nos trazendo uma sensação de perda irreparável.
Fazia já algum tempo que eu não aparecia por lá, estava traumatizada, ressabiada, com medo de encarar o que acabei sentindo hoje: a dor de ver aquela devastação toda.
No dia mesmo em que houve o acidente, eu nem fui ver.
 Naquele fatídico dia, o lago se esvaziou como um tanque de que se tira a tampa, e em menos de 1 hora tudo estava consumado!
Patos, peixes, marrecos, gansos, mergulhões, e vários outros animais, ficaram sem o seu lar e nós ficamos sem a sua presença maravilhosa, sem o seu encanto  imprescindível e sem saber como explicar isso para nossas crianças acostumadas a dar pão aos peixes nas grades do antigo atracadouro e  a se embevecer em ver o casal de cisnes negros a deslizar pelas águas mansas do lago sempre tão plácido... os cisnes e alguns outros habitantes do lago  só não foram levados  com a enxurrada porque ficaram presos na lama!
Bastou uma hora! Foram 78 milhões de litros de água, o equivalente a 30 piscinas olímpicas, que escoaram para a galeria da rede pluvial. Na exata manhã de terça feira de carnaval (24/02/2009).
Me senti uma traidora, pois afinal, eu vivi tendo ele como paisagem de fundo para muitas etapas de minha vida.
Deveria ter ido lá, dar meu apoio naquela hora fatídica. Mas não consegui. A emoção e a dor eram tantas, que não tive coragem.
E hoje, ao ver as suas águas, mesmo ainda baixas, aos poucos voltando, a emoção também não foi menor.
Agora, só resta a pergunta: Até quando irão as obras? Quando vão entregar nosso lago de volta?

Estarei seguindo de perto as ultimas noticias sobre o assunto.
O livro homenageia o Parque e porque não dizer também ao  lago que sinaliza tão bem o lugar e tudo o que ele representou, representa e espero... representará para as futuras gerações.
É um patrimônio do povo não só da Aclimação e região, mas de todos nós que lutamos por uma qualidade de vida melhor e pelo respeito à natureza.
Fotos e texto:  Vera Lee



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