domingo, julho 29, 2012

Oportunidades de negócio na logística reversa

por Juliana antunes










Desde a sanção da Lei Nacional de Resíduos Sólidos, muito tenho ouvido falar de logística reversa. Muito ouço falar, pouco vejo de ação. O grande dilema que se coloca na questão é o custo que a logística reversa pode acarretar para as empresas que, obviamente, repassarão para o produto final. Quem paga a conta? Nós, obviamente! (É o que se pensa automáticamente) *nota VL.

Acontece que por conta desta visão simplista da coisa, deixa-se de pensar em investir em um segmento cheio de oportunidade de negócios para todos.
Logística reversa é um processo que cuida do fluxo de produtos, embalagens, ou qualquer outro tipo de material, desde o local de consumo até o ponto de origem. Ou seja, o inverso da logística corrente. Ela coloca o fabricante como responsável pelo ciclo de vida de um produto, já que estes são depreciados com o tempo, param de funcionar, ou simplesmente ficam obsoletos.

Pensando nas oportunidades, com a logística reversa, a indústria da reciclagem ganha status de protagonista no processo. Se pensarmos que esse mercado (o de reciclagem) está na casa dos bilhões e que esses bilhões gerados hoje não são nem 10% do potencial que temos, posso dizer que, sim, é um baita mercado. Além disso, o conceito de reutilização ganhará força, permitindo sobrevida a uma série de peças e equipamentos que, muitas vezes, são deixados de lado pela tal obsolescência programada.

Não podemos deixar de mencionar que a aplicação da logística reversa exigirá das empresas uma melhor gestão da área de supply chain. Aqui não caberá espaço para má gestão, desperdício de tempo e dinheiro. Os processos terão de ser mais eficientes e mais sustentáveis. Profissionais da área com o viés da sustentabilidade terão mais espaço e, certamente, muitas contratações serão feitas.

Mesmo com todo potencial de ganho, e independente da visão só focada em custo, é inegável que haverá um repasse para os consumidores. Na Europa, por exemplo, a conta é repartida e o valor vem descriminado na nota fiscal. Sobre esse aspecto, a maior oportunidade que vejo é a possibilidade de aumento na consciência do consumo responsável, principalmente dos equipamentos eletrônicos. Ao contrário do que a indústria quer nos fazer acreditar, eles não são bens descartáveis que deixam de ser funcionais com o lançamento de um modelo mais novo.
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